“Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de
Deus está em vós, e já vencestes
o maligno”.
1Jo 2: 13b e 14b
1Jo 2: 13b e 14b
Nosso tempo
é insensível aos valores morais, familiares e espirituais. Todos sofrem os
impactos das mudanças que a cultura globalizada e a massificação imprimem sobre
nosso viver. Essas marcas podem ser vistas de maneira clara e particular na
vida dos jovens. Por isso o apóstolo do amor encoraja os que creêm a observar
os valores cristãos. A preocupação tem fundamento.
“A
inquietação - a ansiedade que nos espreita em toda criação não
vem desta ou daquela dor, deste ou daquele horror, anseio, ou por alguma falta
de beleza; nem provém da totalidade das coisas imagináveis que lhes possam dizer
respeito diretamente, porém, vem da própria condição da criatura. Essa
inquietação tem a sua origem no declarado deserdamento da vida direta e na
insopitável esperança que a criatura tem”.
João está
preocupado com os jovens cristãos. Ora perdidos, agora, salvos mediante a cruz
de Cristo. Seu desejo era de que os jovens permanecessem fundados na verdade: “já vencestes o maligno”. Pelo
poder do evangelho, eles tiveram suas vidas mudadas de pessoas entregues às
paixões e concupiscências da carne para servos do Deus Santo. Os jovens podem e
devem subjugar as forças carnais e canalizá-las para o padrão bíblico que
produz frutos aceitáveis ao Senhor: “a
palavra de Deus habita em vós”.
Exercício espiritual importante é a oração. Nosso tempo não dá tempo, dizem alguns. É verdade, o mundo
tenta nos escravizar quanto às atividades urgentes e não podemos ao menos
contemplar o belo, porque não há tempo. Ao lado dos cuidados que temos com a
vida, para sermos vitoriosos temos de colocar “tudo diante do altar”. Ao fazê-lo,
devemos deixar espaço para que o Espírito Santo fale aos nossos corações.
Oração é diálogo e não monólogo.
“Um
período de tempo diário adequado para esperar em Deus... é a única maneira pela
qual posso escapar da tirania das coisas urgentes”.
Outra ferramenta
básica para continuar vencendo o maligno é a leitura da Palavra. Nesta
indicação, João dá uma chave importante: “...e a palavra está em vós...”.
Em seu evangelho, o apóstolo, ao transcrever um discurso do Mestre, afirmou
que, em estando em Cristo e, se suas palavras estiverem presentes nas vidas das
pessoas, pode-se até pedir tudo, segundo a vontade de Deus, que será realizado.
Ora, em toda
a apresentação da Bíblia há uma homogeneidade quanto ao valor da verdade como
revelação especial de Deus ao homem. O salmista atestou que escondeu a Palavra
em seu coração para não pecar contra o Senhor. Ter a Palavra guardada no
coração é arma de valor imensurável para se vencer “este mundo tenebroso”. É
preciso saturar a mente com as coisas do Reino.
Quantas informações
recebemos durante o dia, através dos canais tecnológicos e humanos? Muito
provavelmente, a maioria delas não tem o aval do Senhor santo e justo. É na
Palavra de Deus que temos assegurado conhecer a vontade do Senhor. Devemos amar
a Bíblia. Nela meditar. Dela obedecer a seus ditames. Martinho Lutero, o
reformador alemão do Século XVI, tinha uma paixão tão grande pela Bíblia, que
“virou” o mundo de seus dias de ponta-cabeça (coisa de jovem...), através da
renovação que a Palavra lhe produziu. Ele a amava e declarou o seu amor:
“O que o pasto é para o rebanho, a casa
para o homem, o ninho para o passarinho, a penha para a cabra montês, o arroio
para o peixe, a Bíblia é para as almas fiéis”.
O jejum é
outra ferramenta adequada. No mundo europeu e na América, onde já há mais
problemas com a obesidade do que com a fome; tirar um momento para jejuar
parece algo tão inusitado, estranho, que não se dá mais o valor que lhe cabe.
Ao
dedicarmos ao jejum, principalmente aquele de Isaías capítulo cinquenta e oito,
das coisas desagradáveis, Deus opera em nós, pois estamos a declarar que o
Senhor reina em nosso viver, que valorizamos a comunhão com o Senhor de Todas
as Coisas, em detrimento dos valores, padrões e ditames mundanos.
É preciso
exercitar estas ferramentas para que obtenhamos vitória em nossa caminhada.
Empiricamente, todo aquele que sucumbe na vida espiritual, deixou os exercícios
destas ferramentas.
Parece-nos
desnecessário, descabido e até impossível viver uma vida de vitória sobre a
carne, mundo e Satanás. Embalados por esta ideia, alguns, não poucos, têm
vivido à risca, o que o famoso poeta português Luís de Camões deixou escrito: “Coisas impossíveis, é melhor
esquecê-las que desejá-las”.
Entretanto,
João, nesta passagem, menciona pessoas que haviam vencido o maligno e vencido
sua doutrina, vencido seu modo de vida maligno, convites, fantasias - máscaras
haviam sido descobertas. Jovens que venceram a estratégia de Satanás em tornar
frio o que estava quente - pelo Criador; em tornar escuro o que se produziu em
luz; em odiar, quando o amor era o imperativo. Jovens visionários num mundo
mau, mas, vencendo os problemas e dificuldades pelo exercício da fé em Cristo,
alcançada pelo sacrifício na cruz, pela justificação, regeneração e autêntica
santificação.
Não era
somente saborear a vitória que ocorreu no passado, mas continuar a vencer. João
estava diante de pessoas que venceram o mundo mau de sua época. Cada era
reserva dificuldades adequadas. Jovens que eram fortes, porque estavam
municiados com a Palavra de Deus. Se o mundo gentílico, dado às orgias dos
tempos de João pôde ser vencido, nosso tempo, desprovido de nobreza e escasso
de bons valores, apesar de toda a liberdade conquistada a partir da revolução
francesa, também o pode ser. O Senhor está conosco e tem o controle de todas as
coisas.
David Brainerd foi um jovem visionário que, no século XVIII, deixou as facilidades de seu tempo e
embrenhou-se pelo interior a pregar aos Navajos americanos. Depois de alguns
anos, por causa de seu ministério, já fraco, doente, preparando-se para estar
com Cristo, deixando uma noiva que o amava, declarou ao seu irmão que o
assistia-o na “hora da morte” o seguinte: “Digo, agora, morrendo, não teria
gasto a minha vida de outra forma, nem por tudo que há no mundo”. Ele tinha
apenas vinte e nove anos de idade.
Jovens
dignos num mundo indigno. Jovens fortes que vencem o maligno. Jovens firmados
na Palavra, produzindo frutos para a vida eterna. Continuem a ouvir o belo e
sábio conselho de João. Deus os abençoem MJs-RCC. (M.S.N)
Postado
Marcelão
Jucar – Juventude Católica Renovada
Coordenador Diocesano MJ-RCC/Sorriso/MT
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